Putin deverá ser (re)eleito hoje. O que se passou? Quem está ‘a votos’?

O resultado das eleições presidenciais na Rússia deverá ser conhecido este domingo, depois de as portas para os eleitores terem sido abertas por todo o país na sexta-feira.

Segundo a Comissão Eleitoral Central (CEC), a participação presencial nas eleições já ultrapassou os 61%, numa altura em que faltam pouco mais de dez horas para o encerramento dos últimos centros de votação.

Mas se a guerra da Ucrânia está, dois anos depois de ter começado, num ‘impasse’ em termos de controlos de território, a presidência russa é uma batalha que Vladimir Putin já ‘ganhou’ antes de os votos serem contados – e, por isso mesmo, também já foi alvo de críticas.

E porquê?

O Parlamento Europeu descreve este ato eleitoral – que inclui os seis milhões de pessoas que vivem nos territórios temporariamente ocupados pela Rússia – como “um ritual de legitimação cuidadosamente encenado para a recondução de Vladimir Putin para um quinto mandato”. Bruxelas fez esta consideração ainda antes de as eleições começarem.

Mas já com as urnas a receber votos, Vladimir Putin foi mais uma vez criticado pela Europa, começando pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, que de forma irónica parabenizou Putin. “Gostaria de felicitar Vladimir Putin pela sua vitória esmagadora nas eleições que começam hoje. Não há oposição, não há liberdade, não há escolha”, escreveu o responsável na rede social X (antigo Twitter), na sexta-feira.

Putin está no poder há 25 anos, desde 1999, como presidente ou primeiro-ministro, e prepara-se agora para cumprir o quinto mandato, podendo ficar na presidência até 2036. Isto porque, em 2020, Putin apresentou uma lei – que foi aprovada – para mudar a Constituição russa e, assim, passou a poder concorrer a dois novos mandatos consecutivos. 

Putin conta com uma intenção de voto superior a 80%, segundo sondagens oficiais, e poderá alcançar a sua maior vitória eleitoral desde que chegou ao poder em 2000. Se a reeleição de Putin se confirmar – e cumprir até ao fim, Putin ultrapassará o tempo de governação de Joseph Stalin, que esteve à frente da União Soviética durante quase 29 anos, entre 1924 e 1953.

O que marcou estes três dias?

Os protestos ‘possíveis’

As eleições acontecem sensivelmente um mês depois do principal opositor ao regime, Alexei Navalny, ter morrido. Nas últimas semanas, a mulher de Navalny deixou um apelo aos eleitores – que mostrassem o seu descontentamento com esta governação na hora de votar, votando nulo ou mesmo escrevendo o nome do marido nos boletins. 

Vários desacatos foram sendo registados em alguns locais do país, com as autoridades a fazerem detenções. Entre os registos, houve urnas que incendiaram e protestos em que se usou tinta verde – para representar um químico com que Navalny já tinha sido atacado.

Mulher de Navalny pediu protesto… e eleitores mancharam urnas. Ora veja

É preciso recuar até 2017 para perceber as semelhanças. Há várias imagens, partilhadas pelos meios de comunicação ucranianos, que podem estar a mostrar a ‘revolta’ de quem vive sob a presidência de Vladimir Putin.

Notícias ao Minuto | 14:42 – 15/03/2024

E ataques ‘fora’ do campo de batalha?

No sábado, as autoridades da Rússia informaram que a sua infraestrutura eleitoral foi alvo de cerca de 90 mil ataques informáticos só na sexta-feira, o primeiro dia da votação para as presidenciais, que terminam domingo.

As declarações das autoridades russas surgem horas depois de a agência Ukrinform ter noticiado que os especialistas cibernéticos da Ucrânia atacaram o sistema russo utilizado para a votação eletrónica nas presidenciais. Citando fontes dos serviços de informação militar da Ucrânia (GUR), a agência referiu que os ‘hackers’ contornaram “todos os sistemas de proteção” russos, estando previstos ataques até ao final da votação.

A responsável pela CEC da Rússia, Ela Pamfílova, adiantou no sábado que desde o início das votações já tinham sido bloqueados pelo menos 10.500 ataques contra o sistema de votação.

Especialistas atacam sistema de votação eletrónica na Rússia

Especialistas cibernéticos da Ucrânia atacaram o sistema russo utilizado para a votação eletrónica nas presidenciais, que terminam no domingo, indicou hoje a agência Ukrinform.

Lusa | 13:36 – 16/03/2024

Quem foi a votos com Putin?

Nikolai Kharitonov

Nikolai Kharitonov, de 75 anos, membro da câmara baixa do parlamento russo, a Duma, é o candidato oficial do Partido Comunista. Segundo recorda a agência de notícias Reuters, os candidatos desde partido ficaram em segundo lugar em todas as eleições desde 2000, mas com uma larga distância de Putin. 

Kharitonov já foi candidato em 2004, quando obteve 13,8% dos votos, contra 71,91% de Putin. 

Leonid Slutski

Com 56 anos, é membro do Partido Liberal Democrática do Rússia e iniciou-se na política como chefe de sector do Presidium do Soviete Supremo da Federação da Rússia, tendo sido depois conselheiro do edil de Moscovo.

Há três anos, a editora-chefe do canal televisivo RTVI, Ekaterina Kotrikadze, a produtora do canal de TV Dozhd, Daria Zhuk, e a jornalista do serviço russo da BBC, Farida Rustamova, acusaram Slutsky de assédio sexual. O político considerou as acusações “absurdas”, parte de uma “campanha personalizada”.

Alguns especialistas acreditam que Slutski poderá ficar em segundo lugar nas eleições, opinião corroborada pelo site informativo russo Meduza, publicado em Riga.

Vladislav Davankov

Do partido Gente Nova, 40 anos, originário da cidade de Smolensk. É diplomado pela Universidade de Moscovo e pela Universidade Social. Entrou para a política em 2020, quando participou da fundação do partido a que pertence, e ainda não se referiu à guerra na Ucrânia.

Davankov avançou no ano passado com um projeto-lei que proíbe o uso de toponímicos “ofensivos”, tendo sido co-autor de leis que proíbem a transição transgénero e a exibição de animais em circos.

Nas eleições para o município de Moscovo, em 2023, ficou em quarto lugar. Atualmente, não tem um programa eleitoral.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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