Centenas de jovens exigem em Lisboa melhores salários e nem chuva trava protesto

Mais de três centenas de jovens saíram esta quarta-feira à rua, em Lisboa, debaixo de chuva forte, num protesto por melhores salários, deixando também recados ao novo Governo, liderado por Luís Montenegro.

Pelas 15h00, os jovens concentraram-se no Rossio, partindo depois em direção à Assembleia da República, e nem a chuva e o vento travaram o protesto.

Munidos com faixas dos sindicatos afetos à CGTP, os manifestantes gritavam frases de luta, como: “Para o país avançar, salários a aumentar” e “A luta continua nas empresas e na rua”.

Em declarações aos jornalistas, no final do protesto, o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, afirmou que esta “é uma demonstração de força, de determinação”.

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“Não arredámos pé. Esta juventude demonstrou garra. Estão dispostos a dar continuidade à luta para garantir um futuro melhor para eles”, sublinhou.

A manifestação foi convocada pela Interjovem, organização de jovens trabalhadores da CGTP, em defesa de melhores condições de trabalho e de vida, nomeadamente pelo aumento dos salários e pela redução dos horários de trabalho.

“Um jovem entra para o mundo do trabalho sem conseguir ter perspetivas de futuro, sem conseguir ter um contrato, salário digno, independência, constituir família e ter casa”, apontou Tiago Oliveira.

Para o sindicalista, apesar das dificuldades em obter consensos no parlamento, há condições para que se adotem opções políticas que consigam responder aos problemas dos trabalhadores.

Os problemas não são de agora, “assolam os jovens trabalhadores há anos”, referiu, notando que estas dificuldades são fruto de “políticas que respondem às grandes empresas e grupos económicos”, deixando de lado, sobretudo, jovens e reformados.

“Se hoje sentimos os atropelos nos locais de trabalho, eles existem porque há opções políticas tomadas na Assembleia da República que permitem que os patrões apliquem todos estes atropelos”, vincou.

Presente no protesto, Nídia Sousa, defendeu, em declarações à Lusa, que a “juventude trabalhadora é muito afetada pelo fraco aumento dos salários” e que a subida do salário mínimo nacional, ainda que positiva é “insuficiente face ao aumento do custo de vida principalmente […] da habitação e da alimentação”, acrescentado que “é praticamente impossível para um jovem trabalhador hoje em dia conseguir autossustentar-se” e que este cenário é “inadmissível”.

Em relação ao novo Governo, Nídia não acredita que esta nova legislatura consiga atender às reivindicações dos trabalhadores e sublinhou que “eles próprios [parlamento] não se entendem”, acrescentando que, “enquanto não houver um entendimento sério político”, não haverá “retorno positivo para os trabalhadores”.

Por sua vez, Daniela, de 28 anos, disse que os jovens organizaram esta manifestação porque acreditam que “é através da luta” que conseguem aquilo que “são direitos”.

“Estou aqui hoje porque as condições a que chegámos são inadmissíveis” disse a professora de História de 3.ºciclo à Lusa, acrescentando que, apesar de não trabalhar as 40 horas, é de acordo que “toda a gente trabalhe as 35 horas”.

Já Marcos Almeida, técnico bancário de 25 anos, acredita que “existe sempre solução e não se pode deixar que a democracia morra na boca da urna, principalmente nestes 50 anos do 25 de abril”.

“Um jovem se quiser ser feliz, não consegue ser, porque cada vez é mais complicado organizar a sua vida, nem os horários nem os salários permitem aos jovens emanciparem-se e ter uma vida plena segundo aquilo que é a Constituição da República”, disse o técnico bancário.

Para Afonso, designer gráfico de 26 anos, “é urgente aumentar os salários sobretudo porque os jovens têm profissões tendencialmente precárias e com vínculos precários” para que se possa “viver com tranquilidade e não estar sempre a pensar que era melhor emigrar”, acrescentou.

“Apesar da chuva continuamos aqui resistentes, a acreditar que através da unidade sindical conseguimos atingir os nossos objetivos, melhor trabalho e melhores salários”, finalizou.

João Oliveira do PCP, que se juntou ao protesto na Calçada do Combro, notou que a manifestação prova que os jovens não “estão à espera do Governo, nem de maiorias na Assembleia da República, para lutarem pelos seus direitos e exigirem respostas para a melhoria das suas condições de vida”.

Saudando a posição dos jovens, o deputado disse ainda que o PCP está solidário com as reivindicações apresentadas pelos manifestantes, acrescentando que o partido apresentou iniciativas legislativas que têm em vista o aumento do salário mínimo, a resolução dos problemas na saúde, habitação, entre outras.

Para além do protesto em Lisboa, a organização também agendou para esta quarta-feira uma manifestação em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto.

Estas iniciativas pretendem também assinalar o Dia Nacional da Juventude, que se celebra esta quinta-feira.

Fonte: Observador

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